terça-feira, 24 de agosto de 2010

OS SAPATINHOS DE PABLITO




Pelas ruelas de Pamplona.

De repente a multidão

apressa o passo e corre-corre.

Lá as pessoas se perdem, se medram.


Juan Pablo perde seus

sapatinhos branquitos, seu pai.

O Pai perde Pablito, seu filho pequenito,

Seu chapéu de feltro.


Na festa de São Firmino a rua é o mar, Pablito é o menino.

Chapéus e sapatos são acessórios – os touros não.


A maré enche, as pessoas e o corre-corre - depois se vão.

Tudo se vai à maré cheia. Devagar tudo se vai.

Vagarosamente, Um touro ainda passeia por lá.

Os sapatinho de Pablito, os restos de areia ainda medram no meio fio,

[Na festa de São Firmino]


sábado, 24 de julho de 2010

UM ACRÍLICO


UM ACRÍLICO


Insiste em borrar de branca espuma o dia a dia

Talvez O ar O sal A maresia Ao olho sobe-lhe

algum acidente cinza Lajedo e alicerce

[amplidão de pedra]

Desenha à tinta a tinta O jornal diário O asfalto

Toda a claridade Toda viagem O sarrabulho

O cheiro dos marujos febris suas vagas espumantes

[são cores]

Agigantam-se as bolhas As cores na superfície

As louças de primavera à proa desvanecem sob

o lodo As plantas plásticas As pedrinhas do aquário

[realidade do peixe]

A frota de Cabral – Sua dor atravessa a sala, o aquário

E vem morrer numa tela pós moderna Acrílica –

Fiz essa pintura pra ti meu coraçãozinho

Nela pintei também nosso sexo na praia Seus seios

[Seu gozo]

domingo, 18 de julho de 2010

Bobagens

Bobagens

Minha poesia ordinária
De nódoas requintadas
Quando quer descanso
Descansa. Torce o pé, diz um ai Vigoroso,
sem rima, sem oso.
Seu altruísmo é pra pássaros,
Grãos de arroz. Seu amor de mãe diz
Bom dia e pasta de dentes, de pai assente a cabeça.
Minha vida está para um punhadinho de bobagens:
Papai, mamãe e meu ais preguiçosos,
Bem osos.

ParaGrafaDor

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Factóide


foto by Tâmara Lyz Milhomem

É festa, é festa!

É fresta.

É feto, é feto!

É veto.

É rastro, avesso parto.

É claustro...

É fato.

sábado, 13 de março de 2010

Fog’aço



O primeiro fogo, o aço último...

O filho mais novo em busca do velho pai.

Vias, de fato, aéreas.


Tentáculos


Um vem do chão,

Voa.

Se vendo vão,

Côa.

Leva a semente,

Boa.

Diz tão somente,

Soa.


Traços organo-mecânicos,

Viéses senti-metalóides.


Vai dizer,

A jorrar,

Cá da terra,

Lá do ar.